Descubra alguns episódios, factos e personalidades que marcaram a história das Montanhas Mágicas a partir de finais do século XVIII

Em todos os municípios surgiram ricos solares e imponentes casas senhoriais, ostentando elaborados brasões de família nos portais das fachadas principais e adotando os mais diversos estilos arquitetónicos e artísticos.

Foi, também, a partir do século XVIII que se verificou um significativo aumento da construção ou reedificação de igrejas, capelas, santuários e calvários, distribuídos de forma equilibrada por todos os municípios das Montanhas Mágicas. Salvo raras exceções, torna-se impossível definir um estilo artístico ou arquitetónico únicos para estes monumentos religiosos, uma vez que na sua grande maioria os mesmos refletem vários estilos, o que permite ao visitante fazer uma viagem no tempo, contemplando características de várias épocas num só edifício. Importa salientar que um número significativo de igrejas e capelas estão classificadas como Imóveis ou Monumentos de Interesse Público e, em menor número, como Monumentos Nacionais.

A partir do início do século XX, um dos principais acontecimentos que marcou a história das Montanhas Mágicas foi a corrida ao Volfrâmio, minério, utilizado no fabrico de armas e munições no decorrer da I e II Guerras Mundiais. A história da prospeção mineira nas minas de Regoufe, Rio de Frades, Moimenta, Chãs e Fraga da Venda ficou, desta forma, inevitavelmente associada à história da Europa e do Mundo. As ruínas do património mineiro e a memória dos homens que viveram de perto esta realidade constituem um património material e imaterial de inestimável valor. 

Também o Couto Mineiro do Pejão, em Castelo de Paiva, de onde foram extraídos milhões de toneladas de carvão, entre meados do séc. XIX e finais do séc. XX, e as Minas do Braçal, Malhada e Coval da Mó, em Sever do Vouga, onde foram explorados filões hidrotermais ricos em zinco, prata e especialmente em chumbo, tiveram um papel fulcral no desenvolvimento económico, social e cultural local.

A agricultura, a silvicultura, o pastoreio e a pecuária, desde sempre se revelaram essenciais para a subsistência dos povos que aqui se fixaram e para o desenvolvimento económico deste vasto território. Apesar de, nas últimas décadas, se ter assistido a um acentuado abandono das atividades agrícola e pastoril, a história ancestral destas atividades, nas Montanhas Mágicas, revela um vasto património rural edificado (aldeias, azenhas, lagares de azeite, moinhos, levadas, regadios, canastros, eiras, mariolas, entre outros), e um rico e diversificado património cultural, que se manifesta em usos, costumes, tradições, folclore, danças e cantares, gastronomia típica, artes e ofícios entre outros. Do ancestral cultivo da terra, que sofreu um longo período de estagnação e hoje começa a ganhar nova força, destacam-se alguns produtos de qualidade reconhecida, de que são exemplos a carne de raça Arouquesa (DOP), o Cabrito da Gralheira (IGP), os Vinhos Verdes (DOC), os vinhos de Lafões (DOP), e mais recentemente os frutos vermelhos, com destaque para os mirtilos. Também merecem referência a doçaria conventual, legado das monjas de Cister do Mosteiro de Arouca, a doçaria regional que em todos os municípios apresenta características únicas, os licores, as compotas, o mel e os fumados. 

No que diz respeito às personalidades com maior relevância histórica neste território, a partir do séc. XVIII, destaca-se o primeiro Conde de Castelo de Paiva, Dom Martinho Pinto Lencastre de Bulhões, a quem muito ficou a dever-se o progresso e desenvolvimento do município.

Em finais do século XIX merece especial referência, pela importância que teve na história de Portugal e do Mundo, o ilustre militar, explorador e administrador colonial português, nascido em Cinfães, Alexandre Serpa Pinto. O museu que lhe foi dedicado, em Cinfães, tem patente um extraordinário espólio que integra, entre outros, as primeiras edições dos seus livros, telegramas, objetos pessoais e profissionais, e uniformes. Também existe um Jardim e uma estátua em sua homenagem, junto à Igreja Matriz de Cinfães.

Como episódios históricos de relevo em finais do séc. XX e inícios do séc. XXI, destacam-se a elevação das vilas de Vale de Cambra e S. Pedro do Sul a cidades, respetivamente em maio de 1993 e em junho de 2009.

A presente síntese histórica está, naturalmente, muito aquém de relatar todos os momentos, acontecimentos, personalidades e monumentos que enaltecem a história dos municípios que integram as Montanhas Mágicas. 

Não é esse o propósito nem seria, de todo, possível fazê-lo num espaço tão curto, sobretudo por se tratar de sete municípios com uma longa e rica história. Entende-se, no entanto, que esta breve resenha ajudará a compreender um pouco da história local, especialmente a que se encontra associada aos vestígios arqueológicos, monumentos, museus e outro património que este guia propõe visitar. Além disso suscitará o interesse para um aprofundamento da história local através da consulta de livros e publicações históricas, escritos por autores locais